sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Relações Humanas

Sbalrer, caros cibernautas, cá estou eu de regresso às crónicas semanais e hoje com algo diferente. Não vou falar das peculiaridades desta terra abençoada mas das relações entre os expatriados que cá vivem e convivem. A verdade é que ao pensarmos que existe um conjunto de estrangeiros inseridos num ambiente diferente dos seus hábitos, seria expectável haver uma maior proximidade entre as pessoas e uma união no grupo inerente a este facto. No entanto, a realidade é diferente dado que ninguém se lembra que a maior proximidade também faz com que as pessoas convivam mais tempo e que os hábitos de cada um venham à superfície. No princípio, efectivamente, as pessoas refugiam-se entre elas e formam uma pequena comunidade unida, mas com o passar do tempo as relações deterioraram-se, a amizade e camaradagem dá lugar ao afastamento e à intriga. Recordo-me, perfeitamente, das inúmeras patuscadas nas quais participei onde chegávamos a reunir um grupo elevado de pessoas e se falava em alegre cavaqueira para tentar esquecer o sítio onde estávamos e recordar um pouco as nossas origens. À data de hoje, posso afirmar que há mais de três meses que isso deixou de existir essas patuscadas e não vejo qualquer hipótese da organização de novas. Hoje em dia, o convívio é feito com grupos mais pequenos de 3 ou 4 elementos, lá diz o proverbio mudam-se os tempos, muda-se as vontades, nem sempre para melhor. Não sei se este exemplo é representativo da realidade global, mas, infelizmente, parece-me que sim. É com tristeza que digo que as pessoas não sabem, nem querem viver em comunidade, cada um de nós apenas quer o seu espaço e é só com isso que se preocupa. Quantos de nós não conhecem, nem sabem o nome dos vizinhos do prédio onde moram há uma série de anos. Porque a vida não é só alegrias e pode ser que falar das questões ajude a mudar alguma coisa, senão fico pela tentativa de o fazer.

Redoah Inchalá

4 comentários:

Anónimo disse...

Caro Tuareg,

Como leitor assíduo das tuas crónicas, mas nem sempre comentador das mesmas, gostaria de complementar esta tua última missiva com um pensamento, que é,
"As relações são como os edifícios, constroiem-se com bases sólidas".

Assim sendo, não te preocupes caro tuareg, as que não conseguiste edificar aí, ou aqui, é porque não eram sustentáveis, não assentavem em pilares sólidos!
Um abraço reforçado, deste teu leitor lusitano.

Anónimo disse...

Caro leitor lusitano,

Efectivamente tens razão, só as relações sólidas interessam no futuro. O problema é que numa pequena comunidade nem todas as relações tem de ser sólidas, não deviam é ser corrosivas, mas algumas são.

Mas nem tudo é mau, fiz aqui amigos para vida "ça c'est sûr" como se diz por aqui.

Uma abraço,

Tuareg

Anónimo disse...

É engraçado que o texto pode ser enquadrado nas relações internas de um pequeno clube chamado CDPA (e que dá nome a este Blog)...aqui tão longe da Argélia acontece o meso.
Paço de Arquense

Anónimo disse...

Caro Paço Arquense,

Fico mais descansado, sendo assim o problema não é da Argélia mas do feitio humano... Mas aí quando a malta se chateia ainda vai ao shopping ver as gaj... aqui népia.

Um Abraço