sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Barragens Policiais

Uma das muitas particularidades das estradas argelinas são as barragens policiais, que se encontram por todo lado, dos diferentes ramos das forças de segurança equivalentes às nossas GNR, PSP e policia fiscal. Normalmente colocam um sinal de aviso de barragem a 5 metros e posicionam-se no meio da estrada, um elemento para cada sentido estando outro mais a frente com uma metralhadora e uma corrente de picos para furar os pneus aqueles que não pararem. O procedimento a seguir é sempre o mesmo, abrandar, quase, quase parar e aguardar que o policia levante a mão como sinal, de pode seguir. Como devem imaginar ele executa este mesmo movimento milhares de vezes por dia, o que quer dizer que daqui a uns anos ele pode se reformar por doença profissional com uma tendinite no braço. Á noite o procedimento é complementado com mais duas operações primeiro desligar os médios para não encandear a rapaziada e depois acender as luzes interiores para eles verem quem vai dentro da viatura. Dado que em muitas situações a iluminação é fraca corremos o risco, quando desligamos os médios, de os atropelar. Por vezes somos mandados encostar, primeiro começam por falar em árabe ao que malta responde “no árabe”, depois pedem os documentos, mas também pode perguntar apenas se temos água para lhes dar ou dar-nos as boas vindas à Argélia, ou ainda reclamar que a matricula está muito suja, ou que um dos documentos está caducado, ou apenas que temos um belo nome. Muitas vezes quando descobrem que somos portugueses dizem logo: “Figo, Ronaldo”, ao que a malta responde logo “Madjer” e pronto o clima ficou logo mais animado, o futebol nacional ao serviço das relações internacionais. No fundo estas barragens, apesar de ineficazes dentro da politica de segurança do faz de conta, são já umas das atracções da estradas argelinas.

Redoah, Inchalá

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Transito II

O trânsito continua a ser uma das maiores atracções da Argélia. Tudo é possível ver nas estradas deste país, no único local onde os argelinos fazem tudo depressa. Aqui eles têm sempre pressa, qualquer espaço serve, qualquer contravenção é possível desde se chegue primeiro, muitas vezes com a conivência das autoridades. Uma das muitas curiosidades é as vias de três faixas onde a faixa do meio é para quem chegar primeiro (ver foto). Outro aspecto interessante são os transportes de grandes dimensões, que não Europa são denominados transporte especiais porque implicam carro piloto, sinalização especial e horário específicos de circulação. Aqui também são especiais por que usualmente fazem sempre estragos, normalmente circulam a qualquer hora, sem escolta e sinalização, o estudo do percurso é feito em andamento e na fé de Alá que em princípio passa. À saída de Mostaganem existe uma ponte que estava constantemente a ser abalroada. Para proteger a ponte, a cerca de um mês foi colocada uma estrutura para balizar a altura máxima, o resultado pode ser visto na foto. A questão que se coloca é : “Porquê tanta pressa?” dado que chegados ao destino ficam horas na palheta em volta de um café. Nas estradas argelinas o lema é “Quanto mais depressa chegar ao destino mais tempo tenho para não fazer nada”.

Redoah, Inchalá

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Ramadão

Chegou o Ramadão, o mês lunar mais conhecido do mundo Muçulmano. Neste mês os locais não podem comer, beber, fumar, ter contactos sexuais (Grande coisa, nós aqui também não, bem feita!) ou qualquer comportamento anti-social desde do nascer até ao pôr-do-sol. E efectivamente o pessoal cumpre, o problema é para trabalhar, porque assim que nos aproximamos do meio-dia começam a desacelerar e a partir das três não fazem mais nada. Todos eles dizem que não custa nada e provam ao Ocidente que são capazes mas a quebra de capacidades é notória e a súbita irritação também, em particular naqueles que fumam. Embora só possam comer a partir das sete, às quatro vão todos as compras para preparar o jantar, entre as setes e às oito não se vê ninguém das ruas. A partir das nove começam a invadir as ruas e aí ficam a confraternizar até às duas da manhã. Para eles é uma festa, nas ruas vendem-se bolos especiais desta ocasião, com uma dose excessiva de açúcar, quase todas a lojas estão abertas e até as mulheres têm direito andar na rua a esta hora. Conclusão, no dia seguinte não só andam cheios de fome como andam cheios de sono. O pior é para os estrangeiros, porque os restaurantes estão todos fechados durante o dia, temos de evitar comer, beber ou fumar a frente deles e depois a coisa pode-se pegar porque já temos um ou dois que também começaram a fazer o Ramadão. Segundo os locais, um não muçulmano que se converta é dos primeiros a entrar para o Céu. Depois de ouvir isto, é que eu não faço Ramadão, quanto mais tempo demorar a entrar para o céu mais tempo fico entre os vivos….Safa….

Redoah, inchala

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Comércio Local

O comércio local é outra das características deste país e em particular em Mostaganem, as lojas dividem-se no global, em cafés, mercearias e táxi-phones (Tipo cabine telefónica mas com vários postos). Nos cafés, claro que imperial népia, só café, chá ou laranja, para além disso na maior parte deles as mulheres não podem entrar, a não ser que o café tenha a chamada sala familiar (Ver foto). Pois é, aqui não há misturas, só acompanhado é que se entra nessa sala, é uma sala restrita, coisa fina. As mercearias aqui crescem como cogumelos, em qualquer lado há uma ou duas juntas, mesmo em becos onde praticamente não passa quase ninguém. Estes estabelecimentos fazem lembrar Portugal à 30 anos atrás, vendem de tudo: detergentes, comidas, bebidas, lâmpadas, pilhas etc. O curioso destes estabelecimentos é o horário, muitas delas estão abertas até de madrugada, o que para mim dá me imenso jeito. No fundo estas lojas são o que nós chamamos de lojas de conveniência, como se pode observar este conceito já existe aqui há algum tempo. Esta oferta comercial é complementada em Mostaganem com um supermercado em que os artigos não abundam e algumas prateleiras estão meias vazias mas já existe leitura por código barras, a tecnologia está a chegar. Finalmente as táxi-phones são lojas que praticamente não existem na Europa, trata-se de espaço onde estão 3 ou 4 cabines para telefonar onde se paga ao minuto. Não se consegue perceber bem a utilidade das dezenas destas lojas espalhadas pela cidade dado que aqui qualquer habitante tem um telemóvel e normalmente da última geração, o seu horário é o mesmo das mercearias. Todos estes tipos de lojas funcionam muitas vezes como ponto de encontro à noite pois não hà mais nada a não ser a rua.


Redoah, inchalá

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Visita Presidencial

As férias já terminaram e portanto cá estou de regresso ao segundo maior país de África. Este país que procura a paz desde do início da independência em 1962, tendo a esperança de acalmia surgido quando Abdelaziz Bouteflika se tornou presidente em 1999, estando ainda actualmente no poder. Há cerca de um mês deslocou-se a região de Oran- Mostaganem para uma série de inaugurações num estilo muito ao jeito de Alberto João Jardim mas noutra galáxia, tendo efectuado 64 inaugurações em 4 dias, algumas às onze da noite. As suas visitas são um acontecimento nacional e as regiões que o acolhem recebem uma beneficiação estética, fazem-se em 3 semanas as obras que já deveriam estar feitas à meses, surgem bandeiras nacionais ao longo do trajecto (ver foto) acompanhadas por fotos do presidente por todo o lado. A questão da segurança é levada ao extremo, nas estradas por onde ele passa havia um polícia de 50 em 50 metros ao longo de dezenas de quilómetros. Todas as viaturas estacionadas na proximidade da estrada e dos pontos de visita foram removidas, todos os locais de visita foram revistos de véspera e ficaram de quarentena até a sua passagem. A comitiva era composta por mais de 30 viaturas, um helicóptero que acompanhava todo o trajecto e ninguém sabia o horário certo das inaugurações. Pelos vistos, os procedimentos estão correctos, dado que ontem a visita presidencial sofreu um atentado que resultaram 12 mortos e 23 feridos, o presidente já não se encontrava no local. Apesar disto a calma mantém-se pelo menos deste lado da Argélia. Já agora ao meus caros ciberbloguers não fazem uns comentáriosinhos para manter a interactividade...

Redoah, InchAlá

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Férias

Caros CiberBloguers estou em falta com o site mas efectivamente não tive qualquer hipótese de fazer o artigo a semana passada mas tive completamente dedicado a missão de produzir tubos e finalmente as coisas parecem sorrir o primeiro já viu a luz do sol (foto). Agora vou de férias por isso o site também vai entrar de férias, regressa no início de Setembro. Quero agradecer as vossas visitas graças a número de visitantes algumas empresas argelinos estão a pensar a sponsorizar o site. Peço é que também deixem os vossos comentários, os argelinos gostam de ler….

Férias e Portugaaaaaaaaaaaal here I go

Redoah, Inchalah

sábado, 4 de agosto de 2007

Grupos de Esplanada Instantânea - GEI

Durante a maior parte do ano em Mostaganem, a partir das nove da noite não se vê praticamente ninguém nas ruas mas no verão o cenário é completamente diferente. Neste período de calor, coincidente com a vinda dos imigrantes sobretudo de França, as ruas e os cafés enchem-se até a meia-noite. Os cortejos de casamento com habitual “Renault Express” à frente com o camera-man, proliferam, o pessoal nos cafés a beber uma garrafita de água de litro e meio, um chazinho ou um geladinho e montes de veículos a passear de um lado para o outro. Um fenómeno que acompanha esta animação são os Grupos de Esplanada Instantânea (GEI), os GEI acontecem em qualquer lugar, seja no mais iluminado como no mais escondido. Os GEI não são mais que uma aglomeração instantânea de homens que se junta, normalmente nos passeios, sentam numa cadeirinha de praia que trouxeram com eles, e lá ficam a conversar, a olhar para o céu ou a ver os carros passar. Aqueles de menores recursos sentam-se mesmo no chão, aqueles com mais posses estacionam a viatura, tiram as cadeirinhas colocam no passeio junto ao carro, rádio em altos berros e ali ficam a curtir o som e ver a banda a passar. Dado não existirem muitas distracções nocturnas a seguir ao jantar, os homens e os jovens formam estes ajustamentos semi-organizados. Os GEI’s são um fenómeno característico deste povo pois eles vivem muito para a comunidade daí que não espantam que estes surjam em qualquer lugar.
Redoa, Inchalah