sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Comércio Local

O comércio local é outra das características deste país e em particular em Mostaganem, as lojas dividem-se no global, em cafés, mercearias e táxi-phones (Tipo cabine telefónica mas com vários postos). Nos cafés, claro que imperial népia, só café, chá ou laranja, para além disso na maior parte deles as mulheres não podem entrar, a não ser que o café tenha a chamada sala familiar (Ver foto). Pois é, aqui não há misturas, só acompanhado é que se entra nessa sala, é uma sala restrita, coisa fina. As mercearias aqui crescem como cogumelos, em qualquer lado há uma ou duas juntas, mesmo em becos onde praticamente não passa quase ninguém. Estes estabelecimentos fazem lembrar Portugal à 30 anos atrás, vendem de tudo: detergentes, comidas, bebidas, lâmpadas, pilhas etc. O curioso destes estabelecimentos é o horário, muitas delas estão abertas até de madrugada, o que para mim dá me imenso jeito. No fundo estas lojas são o que nós chamamos de lojas de conveniência, como se pode observar este conceito já existe aqui há algum tempo. Esta oferta comercial é complementada em Mostaganem com um supermercado em que os artigos não abundam e algumas prateleiras estão meias vazias mas já existe leitura por código barras, a tecnologia está a chegar. Finalmente as táxi-phones são lojas que praticamente não existem na Europa, trata-se de espaço onde estão 3 ou 4 cabines para telefonar onde se paga ao minuto. Não se consegue perceber bem a utilidade das dezenas destas lojas espalhadas pela cidade dado que aqui qualquer habitante tem um telemóvel e normalmente da última geração, o seu horário é o mesmo das mercearias. Todos estes tipos de lojas funcionam muitas vezes como ponto de encontro à noite pois não hà mais nada a não ser a rua.


Redoah, inchalá

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Visita Presidencial

As férias já terminaram e portanto cá estou de regresso ao segundo maior país de África. Este país que procura a paz desde do início da independência em 1962, tendo a esperança de acalmia surgido quando Abdelaziz Bouteflika se tornou presidente em 1999, estando ainda actualmente no poder. Há cerca de um mês deslocou-se a região de Oran- Mostaganem para uma série de inaugurações num estilo muito ao jeito de Alberto João Jardim mas noutra galáxia, tendo efectuado 64 inaugurações em 4 dias, algumas às onze da noite. As suas visitas são um acontecimento nacional e as regiões que o acolhem recebem uma beneficiação estética, fazem-se em 3 semanas as obras que já deveriam estar feitas à meses, surgem bandeiras nacionais ao longo do trajecto (ver foto) acompanhadas por fotos do presidente por todo o lado. A questão da segurança é levada ao extremo, nas estradas por onde ele passa havia um polícia de 50 em 50 metros ao longo de dezenas de quilómetros. Todas as viaturas estacionadas na proximidade da estrada e dos pontos de visita foram removidas, todos os locais de visita foram revistos de véspera e ficaram de quarentena até a sua passagem. A comitiva era composta por mais de 30 viaturas, um helicóptero que acompanhava todo o trajecto e ninguém sabia o horário certo das inaugurações. Pelos vistos, os procedimentos estão correctos, dado que ontem a visita presidencial sofreu um atentado que resultaram 12 mortos e 23 feridos, o presidente já não se encontrava no local. Apesar disto a calma mantém-se pelo menos deste lado da Argélia. Já agora ao meus caros ciberbloguers não fazem uns comentáriosinhos para manter a interactividade...

Redoah, InchAlá

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Férias

Caros CiberBloguers estou em falta com o site mas efectivamente não tive qualquer hipótese de fazer o artigo a semana passada mas tive completamente dedicado a missão de produzir tubos e finalmente as coisas parecem sorrir o primeiro já viu a luz do sol (foto). Agora vou de férias por isso o site também vai entrar de férias, regressa no início de Setembro. Quero agradecer as vossas visitas graças a número de visitantes algumas empresas argelinos estão a pensar a sponsorizar o site. Peço é que também deixem os vossos comentários, os argelinos gostam de ler….

Férias e Portugaaaaaaaaaaaal here I go

Redoah, Inchalah

sábado, 4 de agosto de 2007

Grupos de Esplanada Instantânea - GEI

Durante a maior parte do ano em Mostaganem, a partir das nove da noite não se vê praticamente ninguém nas ruas mas no verão o cenário é completamente diferente. Neste período de calor, coincidente com a vinda dos imigrantes sobretudo de França, as ruas e os cafés enchem-se até a meia-noite. Os cortejos de casamento com habitual “Renault Express” à frente com o camera-man, proliferam, o pessoal nos cafés a beber uma garrafita de água de litro e meio, um chazinho ou um geladinho e montes de veículos a passear de um lado para o outro. Um fenómeno que acompanha esta animação são os Grupos de Esplanada Instantânea (GEI), os GEI acontecem em qualquer lugar, seja no mais iluminado como no mais escondido. Os GEI não são mais que uma aglomeração instantânea de homens que se junta, normalmente nos passeios, sentam numa cadeirinha de praia que trouxeram com eles, e lá ficam a conversar, a olhar para o céu ou a ver os carros passar. Aqueles de menores recursos sentam-se mesmo no chão, aqueles com mais posses estacionam a viatura, tiram as cadeirinhas colocam no passeio junto ao carro, rádio em altos berros e ali ficam a curtir o som e ver a banda a passar. Dado não existirem muitas distracções nocturnas a seguir ao jantar, os homens e os jovens formam estes ajustamentos semi-organizados. Os GEI’s são um fenómeno característico deste povo pois eles vivem muito para a comunidade daí que não espantam que estes surjam em qualquer lugar.
Redoa, Inchalah

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Controles no Aeroporto

A semana passada não tive oportunidade de efectuar a habitual crónica porque, como alguns sabem, viajei para o nosso maravilhoso Portugal, infelizmente já estou de regresso. Essa viagem é efectuada por avião lamentavelmente não há voos directos. Sair da Argélia pelos aeroportos é em si mesmo uma aventura, a primeira dificuldade é entrar no aeroporto dado que existe logo à entrada um controle de raio-x a todos, para não levarmos uma bombita para o interior ( Isto é que é segurança). A seguir passarmos mais uma barreira policial onde apenas entram os passageiros, vamos para a fila do check-in dos voos internacionais, a confusão é aceitável, já nos regionais é o caos. Depois preenchemos um formulário de saída e passarmos mais uma barreira policial, chegamos a um guichet onde entregamos o formulário, aqui podem surgir complicações se o visto já tiver expirado, dado que é necessário visto para entrar e sair do país, às vezes isso acontece. Passado este controle, surge mais um polícia a pedir documentos e se temos algo a declarar, segue-se mais um controlo de raio-x à bagagem de mão e detector de metais. Mesmo que o detector não apita, temos de ser sujeitos a uma apalpação por vezes exagerada (parece que o tipo que está lá gosta, eu que não) para finalmente chegamos a sala de embarque. Pensam que terminaram os controlos, nada disso, entramos num autocarro tipo aqueles da carris dos anos sessenta, até junto do avião. No chão da pista encontram-se todas a bagagens que o pessoal entregou no check in tendo agora de as ir identificar para colocar num carrinho senão não embarcam, a chamada identificação “in loco”. Mas ainda não acabou, antes das escadas de acesso está montada uma bancada com aquelas mesas de campismo, a cair de velha, onde as malas de mão são novamente revistadas e finalmente a porta do avião está o último controlo que com um detector de metais portátil para examinar o pessoal. Quando finalmente nos sentamos no lugar aguardamos que o avião levante voo para aí sim respirarmos de alívio.
Redoah, Inchalá

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um Casamento Diferente

O casamento é umas das cerimónias onde mais sobressaem as diferenças culturais, aqui não é excepção. Sendo uma sociedade muito tradicional, por aqui muitos dos casamentos ainda são combinados e delineados pelos pais dos noivos e foi para uma destas cerimonias que eu e alguns dos meus colegas fomos convidados. A cerimónia realizou-se num restaurante dividido em duas salas, numa das salas ouvia-se um conjunto acompanhado por uns gritos similares aos dos índios mas mais agudos, são feitas pelas convidadas e são uma espécie de felicitações para a noiva. No entanto não vimos o interior da sala, fomos conduzidos para a outra sala onde estava o pessoal a comer, só homens claro. O noivo apareceu para nos cumprimentar e pimba quatro beijocas em cada um, atrás veio o pai do noivo e pimba mais uma dose. Sentaram-nos numa mesa com cadeiras de plástico partidas, a minha não tinha costas, e em cima da mesa apenas os talheres com bocados de comida agarrada, já devia ter servido para outros convidados. Isto estava a começar bem. Um de nós lá ganhou coragem para falar com o noivo e lá nos trocaram os talheres. A comida nem foi má, lá comemos razoavelmente todos do mesmo prato incluindo a sopa , onde cada um com a sua colher a comer da mesma malga. Finalizada a refeição, saímos todos para efectuar o passeio dos alegres que tantas vezes vimos passar. A frente vai uma carrinha com uma câmara de filmar a registar estes momentos de folia, a coluna de veículos só com homens nos seus carros com os quatro piscas e apitar, pelas ruas de Mostaganem, uma verdadeira loucura! Lá paramos num ermo para tirar as fotos da praxe (só homens claro) e vinte minutos depois voltamos ao ponto de partida. A maior parte do pessoal dispersa e vai para casa, e nós, como uma espécie de convidados especiais somos convidados a entrar na sala de onde vinham os gritos. Na frente, um palanque com o noivo e a noiva, esta vestida como uma princesa, sentados numas cadeiras de realeza, ao lado o conjunto a tocar e a seguir filas de cadeiras onde deveriam estar sentadas umas cinquenta mulheres. Seguiu-se uma sessão de fotográfica no palanque onde nós também fomos convidados a participar e na qual nos sentimos como se estivéssemos numa exposição. Passado algum tempo os noivos retiraram-se sob os habituais gritos de índios esganiçados, e viveram felizes para sempre, Inchalah

sábado, 7 de julho de 2007

Transito - I

A circulação rodoviária é talvez uma das principais preocupações da Argélia, não é por acaso que é um dos países com maior índice sinistralidade nas estradas no mundo. Para os portugueses o perigo dos extremistas não é nada comparado com a selva nas estradas da Argélia. Aqui os seus condutores são divididos em duas categorias, os “cafeteira”, que fervem em pouca água, e os “mohamedes”, os chamados condutores de Domingo. Ora os “cafeteira” fazem tudo para chegar ao destino, ultrapassam por todo o lado, basta haver um espacinho, mesmo que seja na faixa contrária. Eu próprio já encontrei alguns na minha frente, e o engraçado é eles é que fazem sinais de luzes para aqueles que vêm na sua faixa se desviarem. Os traços contínuos e as zebras são meramente decorativos e depois há uma feliz convivência entre camiões, ligeiros, tractores, ovelhas atravessar a estrada (ver foto) e carroças, estas muitas vezes em sentido contrário, o que é compreensível pois o burro não aprendeu as regras de trânsito. Sentidos contrários aliás são uma das favoritas habilidades dos argelinos, se tivermos uma via rápida com separador central em que para inverter o sentido teríamos de andar cerca de 1 km, quando o cruzamento mais próximo está a 200 mts atrás, então toca a colocar-se em sentido contrário até ao cruzamento ( numa via rápida !! ) e outros que se desviem. Rotundas em sentido contrário também se fazem, se temos de ir para a saída da rotunda logo ao lado, para quê dar a volta a rotunda toda, vira-se logo aí. Confesso que eu próprio já me vou especializando nesta arte, neste momento já vou na minha quinta rotunda em sentido contrário, quando chegar a décima terei condições para obter a carta argelina. Isto no fundo é o chamado intercâmbio cultural no seu sentido mais puro. Na Argélia sê argelino


Redoah Inchalah